" Ele era tão astuto quanto a noite, o pálido matador de lobos, não precisava de muito para abate-los e borrar a neve do vermelho quente que saia depois do estrondo que fazia os pássaros voarem. Tinha sua pele ferida pelas tantas batalhas, seu rosto enrugado por franzir ao olhar da mira, era esguio, porém forte. Montava seu cavalo, e não precisava de muito mais que a coragem e algumas balas para abater toda uma alcatéia. Glória ao Matador de Lobos! Glória à aquele que retira o que Deus criou! Glória! Saudado era pelos camponeses. Hey, senhor Matador de Lobos, existe um grupo atacando minha criação, vá até eles, por favor, lhe dou 100 moedas, não precisa. Com a testa franzida saiu mancando em seu próprio hedonismo de olhar nos olhos do bicho e acerta-lo. Viva! Viva! Viva! Era só mais um dia qualquer, uso repetitivo do qualquer, cruzes! Enfim, andava seguindo os rastros na neve, farejava o perigo de longe, tão longe quanto seus próprios adversários. Vocês não vão fugir, nunca. E então andava mais um pouco, com sua velha carabina preparada. Até avista-lo, o macho alfa, negro contraste com a neve, olhos amarelos que lhe arrepiaram a espinha. Um passo e o bicho sumiu de sua mira, descendo uma elevação, e foi atrás dele, mas acho chegar ao lugar, ele foi pego, haviam muitos deles, negros, brancos, pardos, cinzas, assim como o céu. Não hesitou em atirar mas só acertou a casca dos pinheiros. E encarado por olhares medonhos, sentou ao chão e esperou que pelo menos fossem rápidos. Lentamente o negro lobo aproximou-se, usou sua pata para rasgar-lhe uma das mãos, e logo saiu, junto com os outros. Ele se levantou, fez um leve tornique, e andou de volta para a vila."
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Armadilha ND Épico
Um tanto nostálgico, só para relembrar o quanto tudo fazia sentido há anos atrás, e agora não faz mais nenhum. Irônico é pensar que é isso que ainda me faz sentir vivo, a falta de qualquer sentido, a falta de respostas, é cair em armadilhas e me levantar, olhar para ela e dizer "filha da puta", arma-la e deixar o próximo "trouxa" cair. Talvez caiba um conto, tentarei:
sábado, 7 de maio de 2011
Clichês temporais
O tempo passa rápido quando estou com você
Nas noites de insônia ele demora
O tempo acelera com um motor V8
Na simples esperança de estar perto de você
Mas fica tão lento, tão triste
E de olhos fechados eu sonho com você
Daremos tempo ao tempo
Porque ele também existe
Até que rápido demais os pixiels se acabem
E uma mensagem apareça que você se foi
O tempo demora a escolher quando eu estarei com você.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Bem fundo, porém superficial
Perguntei-lhe se eu poderia sentar ao seu lado, era só mais um dia cinza qualquer, em um lugar qualquer. Ele ou ela, que seja, ficava calado, com o olhar baixo, procurando alguma força no balançar das árvores, ou em qualquer outro lugar. E eu, um outro qualquer, observava com toda a intimidade que um olhar pode ter, meus olhos no daquela ou daquela qualquer, e o outro olhar, além do infinito, onde ninguém pode chegar. Mas é assim mesmo, quanto mais longe, quanto mais alto, mais fundo cai, mais longe vai para a escuridão, ou para a luz, fúteis analogias cristãs. E então, eu esperei até aquele simples qualquer levantar, dei-lhe apoio em meus ombros e o levei, como um soldado para fora da trincheira, depois de uma batalha tão longa, qualquer ombro amigo, mesmo de um qualquer é válido. Infelizmente, batalhas deixam cicatrizes que nunca fecham, feridas que continuam sangrando por dentro, que dilaceram a carne enquanto você sorri. Mal de pé aquele qualquer estava e ele caiu de novo, não tinha forças para andar, nem mesmo sob apoio, fiz o meu papel, carreguei aquele qualquer em meus ombros, foi difícil, demônios me tentaram em deixa-lo pelo caminho e seguir com o meu, por que ajudar um qualquer? Mas eu caminhei com ele nas costas, nos ombros, até que ele pudesse dar seus primeiros passos, assim, levei-o para bem longe, onde não havia mais nenhuma batalha, não naquele momento.
sábado, 30 de abril de 2011
Mais de uma semana
Ele sentou, olhou tudo a sua volta. Observou como tudo se tornava tão mais belo na escuridão de seu apartamento, iluminado somente pelas válvulas do velho rádio e a ponta do cigarro ao qual tragava em intervalos quase cronometrados. Ensaiava a tão esperada morte, enquanto a tão esperada morte batia em outras portas, portas que não queriam se abrir. A maior espera é daquele que espera não? Já fazia mais de uma semana em que tudo tinha acontecido, o que tudo na verdade não era mais nada que a mesma rotina, a falta da rotina. Já fazia mais de uma semana que ele achava que a felicidade era o único destino e que ela iria aumentar de acordo com os juros em sua conta bancaria. Sim, mais de uma semana, sem fazer a barba, sem sair de casa por prazer, sem ter alguém em sua casa por prazer, deixou o velho hedonismo de lado um pouco, e o tempo só passava, a angustia crescia de acordo com sua barba, ainda falhada.
Não havia clichês como a chuva batendo na janela, nem mesmo o copo de whiskey, não havia uma musica do Cure ou do Legião Urbana. Havia uma semana que ele não ouvia nada, a não ser o chiado nostálgico do rádio, e eu, todo dia parava la para assisti-lo. E o ouvia falar, como se eu fosse a terceira pessoa, mas eu estava la, por que ele não podia falar em segunda? Tu nunca disseste nada para mim, mas rezava, rezava para que eu o salvasse, ou condenasse. E então, por não falar comigo, passei mais um dia pela sua porta, entrei sem bater e fiquei só observando, pois havia mais de uma semana que poemas eram espalhados pelo chão, acordes tocados e uma voz rouca sussurrava: leve-me, salve-me. E inconscientemente eu lhe salvava, até seu grito ser ouvido...
terça-feira, 19 de abril de 2011
Isso não é um indireta, mesmo que pareça.
Baseando-me em fatos verídicos, mesmo que sejam da minha pobre insane, que por algum tempo tem me deixado em paz, infelizmente. Alias, por que a paz muito incomoda? Enfim, cabe a outro dia, a outra insane escrever sobre isso...
Meus ângulos de visão tem se fechado, não me sinto mais Deus na Terra, existem coisas aparecendo, e não deveriam. Por que um sorriso tem tanta força? Ou eu ainda sou fraco? Depois de tudo.
Não gosto dessa nova temporada, parece um deserto, quente, e que nunca acaba.
Parece uma tortura em meu corpo, e paz na minha mente, não, não quero.
Voltarei, voltarei...
Falta, falta...
Falta frio, falta tédio, falta todos vocês...
Preciso de minha solidão..
Palavras, onde?
domingo, 17 de abril de 2011
No ônibus de 3 A.M.
É correr de tudo, achar um caminho escondido dentro da própria pseudo-embriaguez, fugir dos olhares que te tentam a olhar. Disfarçar a fumaça de um cigarro ruim, encostar na janela, entre a gritaria, fingindo que sabe de tudo.
Então ele finge. Finge como toda a humanidade. Finge se sentir bem, finge que esta tudo bem, finge ouvir a balada do louco, e sonha com a velocidade e sua possível conseqüência, um quarto branco.
Nas asas da noite, silhuetas tomam forma. O cerco se fecha. Um ataque surpresa à tudo e à todos não faria efeito, vai ser tudo lento. Um a um, machucando, quebrando, partindo corações, sem o mínimo remorso, até tudo chegar ao fim. Ser utópico, como sua própria sociedade.
No guardanapo vem escrito com uma letra rabiscada e tremida, a vontade de Deus, na verdade, a vontade de todo mundo. Mais álcool! Mais álcool! E um cigarro ruim pra completar o ciclo.
Tudo isso ele finge ser, conquista com meia duzia de palavras e um sorriso assimétrico.
- Vamos beber mais?
sábado, 2 de abril de 2011
Atras das cortinas.
Essa é a melhor hora da madrugada
É só olhar pela janela do quarto
Pra saber como tudo esta
Não gritem, não demorem
Pois isso pode acorda-los
Chegue rápido, antes que o sol nasça
Entre pela porta dos fundos
Pois quando eles dormem as crianças brincam
Não deixe sujar o carpete de sangue
Pois quando eles dormem as crianças brincam
É só mais um buraco aberto em sua alma
Enquanto as crianças brincam
É só o choro silencioso
Numa demonstração de amor doentio
Morre. E dizem que foi causa desconhecida
Seu corpo conhece a causa
Outro corpo é o veneno
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