quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Perder.

Não deixou nada para que fosse lembrada. Não havia o envelope com uma carta amassada em cima de mesa da cozinha, não havia o bilhete na geladeira. Não havia a bagunça no guarda-roupa, nem mesmo aquele ar de quando algo nos deixa. Não havia garrafas vazias, nem cinzas no cinzeiro. Não existiam retratos de nós, imagens que quando nós tínhamos algo. Fui deixado aqui, sem saber para onde ir, nem o que buscar, meu próximo passo pode ser dentro do abismo.
Olhando melhor, existia uma leve bagunça, mas só dentro de mim. Fazia e fazia planos, sonhava sonhos de estar com qualquer uma de vocês, vivia por mais que eu não quisesse em um outro mundo, idolatrado, irreal.
Eu quero ver seus olhos de novo, quero sentir seu toque frio, seu pesar. Quero desfalecer em suas braços, fixar o olhar na noite, quero sair da inércia. Preciso de algo que me perturbe, não uma mão amiga, uma inimiga. Preciso sentir o fogo a me queimar, o vento a me empurrar, seu beijo me escapar. Preciso da velha utopia, das velhas anotações da madrugada, dos tons de sua pele, da sua voz, daquela velha melodia. Diga que vai voltar e eu prometo não lhe perder.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Sob o luar.

Eu vejo uma luz. Ela brilha em meio ao negro, à escuridão desajustada, as cinzas do que um dia restou. Vê-se o eterno contraste entre claro e escuro, o bem e o mal medindo forçar para que have um equilíbrio, mas não há. Aquela pequena luz, pulsa, brilha, é como um estrela no céu, pequena, quase imperceptível, não consegue iluminar a minha face com sua luz. Ela só esta lá, lutando para tomar o controle, talvez nunca conseguirá.
Existe também uma escuridão, um negro, onde se perdem nos emaranhados rasgantes de suas teias compostas por ódios, rancores, mágoas, decepções, trassadas por uma caminho, aquele que a escuridão me mostra. Deixando-me de olhos vermelhos, de cabelos em pé, de joelhos ao chão, do punho cerrado, do sangue jorrando. Ela esta aqui, eu posso senti-la, eu quero estar com ela, isso é o que eu nunca vou entender.
Mostre-me me a luz! Gritei, umas tantas vezes até perder a voz. E no céu só vi os pequenos pontos de luz, as pequenas forças girando ao meu redor, sussurrando uma melodia, com seus dizeres, nós estamos aqui não estamos aqui nós estamos aqui sempre. Não sei se estão ou não, não sei. Droga!
Amanheceu, mais um cigarro. Mais um maço de cigarros, alimentando a escuridão com sua fumaça acinzentada jorrando pelas minhas entranhas. Não amanheceu, só trocou-se o dia pela noite. A ausência da escuridão, ali parecia tudo tão luminoso, não era eu.
Mas um dia foi dito, que se existe a escuridão deve existir a luz, que para existir o mal deve existir o bem, que para existir o amor deve existir o ódio. Mas qual é consequência de qual? O mal é a ausência de bem ou o bem ausência de mal? Eu prefiro acreditar que em minha escuridão reside o maior bem, que na minha luz existe meu maior mal, pois as estrelas no céu ainda brilham para mim, eu posso ser o bem, basta eu olhar para elas.